Acabei de receber a newsletter da Obercom e logo quando abri o email deparei-me com o seguinte:
WIKIS, BLOGUES E YOUTUBE. E AGORA?
Durante os últimos meses têm-se multiplicado, internacional e nacionalmente, os artigos de jornais, peças de televisão e, inclusive, muitas e longas linhas sobre o que é a Web 2.0, ou se preferirmos a Web social.
Lógico que fui abrir a ligação a correr pois o assunto é sempre de meu interesse. A decepção veio ao constatar que infelizmente nada do que ali foi escrito é relevante e pior chega a apresentar alguns erros, o que comprova que o autor (Gustavo Cardoso) pouco conhece da actual conjuntura e se meteu a escrever sobre o que não domina/conhece. Só por ser “moda”.
Ao comentar sobre a “verdade” disseminada e publicada nos meios tradicionais “dita pelos jornalistas (também aos professores e autores publicados e encadernados em papel)”, faz uma comparação com o fenómeno das publicações colectivas (aka Wikis) e chega à conclusão de que “temos que passar a ensinar na escola, e fora dela aos mais velhos, que os textos escritos e publicados (na internet) podem ou não valer, podem ou não dar-nos certezas, mas que devemos encarar a informação, toda, sempre como duvidosa até prova em contrário”.
Francamente! Ainda esqueceu-se de dizer que isso acontece com todos os outros meios de comunicação, seja jornais, televisão ou mesmo uma conversa no café! Somos todos obtusos ou o quê? Acho que o que vale é sempre o discernimento dos leitores.
Sobre o papel dos jornalista na nova era continua a insistir no erro e afirma “o jornalista, lentamente, está de novo num processo de valorização profissional enquanto alguém que, pela sua ética, pode ser considerado de confiança, porque o que ele escrever, disser ou filmar terá um valor diferente de muito do que é actualmente publicado. E se não podermos contar com essa ética profissional os nossos problemas serão muito maiores.“
Quer dizer então que só o jornalista diz a verdade, e que nenhuma outra fonte de informação é válida só por uma questão de ética profissional? Desde quando isso é real? Quantos blogues o autor já visitou, o que conhece realmente sobre o assunto?
NADA!!! ABSOLUTAMENTE NADA! Limitou-se a colocar os nomes da moda: Hi5, Facebook, YouTube, etc. só para dizer que o que vale é o antigo e ultrapassado sistema de divulgação de informações!
E ainda termina o texto com esta máxima “E como sugeria Roger Silverstone: se não se comunicou publicamente nos media, então não existe” e eu pergunto-lhe: o terremoto da China? Só aconteceu porque MUITAS horas depois a televisão deu a notícia e os jornais publicaram no dia seguinte?
A Obercom deveria ter mais cuidado com o que publica e ser mais rigorosa na escolha dos editoriais, estão totalmente fora da realidade, ser formos analisar por este texto! Me irritei tanto que o resto da newsletter vou ler só no final da semana.
É que como amante incondicional das ferramentas e modelos mais avançados para a comunicação até me sinto frustrada por fazer tanta força para tentar entender e aprender a utiliza-las e acabar por constatar que a maioria das pessoas e do sector nem sequer fazem força para percebe-los e acham que entendem tudo!
PS.: Artigo escrito no calor da indignação!