Outro terremoto no Twitter – mas este vale a pena!

Segue ligação ao texto de Gilberto Pavoni Jr. sobre o terramoto da Califórnia e a repercussão no Twitter.

É um excelente exemplo do poder de viralidade do Twitter e da espontaneidade de seus utilizadores.

Ficam sempre as dúvidas

Vídeo – The Daily Show – Obama Cartoon *

Robert French pergunta, no PR Open Mic, se Jon Stewart tem razão em seu comentário sobre o cartoon da New Yorker no programa The Daily Show.

Barack Obama should in no way be upset about the cartoon that depicts him as a Muslim extremist, because you know who gets upset about cartoons? Muslim extremists.

RD French também pergunta se Barack Obama deveria ter respondido como sugere Jon Stewart. Eu se tivesse de aconselhar um caso semelhante jamais utilizaria a resposta acima. Mesmo ela, pode provocar mal estar e gerar novos debates e polémicas. E é exactamente este tipo de buzz que queremos evitar. Mas não é por isso que a reposta não possa ser considerada como óptima (para dizer o mínimo). Há também que se analisar que  Jon Stewart está a fazer campanha em favor de Barack Obama desde o início e que se a equipa, que lhe ajuda nas pesquisas e escreve os textos, fosse a responsável pela comunicação do candidato a campanha seria muito mais directa e divertida. Vale a pena pelas diferenças de tom entre os comentários sobre Bush, a família Clinton e o casal Obama. Jon sempre foi defensor de Barack e pode-se dar ao luxo de utilizar-se de frases polémicas e satíricas a favor da sua preferência política.

No vídeo há, ainda, a ênfase no papel dos meios de comunicação social tradicionais para a propagação de polémicas e discussões que desviam e encobrem do público os assuntos realmente essenciais e importantes. E eu pergunto qual é o papel das consultoras de comunicação para evitar ou favorecer este comportamento dos media? Vale tudo por tudo ou há que se ponderar todos os prós e contras de uma acção de desvio da atenção para assuntos sem mérito? Quando evitar e quando favorecer o fait-divert ? É uma questão ética, que eu tenho dificuldade em aceitar como verdade, aquela história do falem bem ou mal mas falem de mim, acho que nem sempre pode ser aplicado com 100% de segurança. Ainda acho que no caso do falar mal do casal Obama ou da revista que lhe fez o cartoon desvia o público dos assuntos importantes que ele ainda não apresentou no seu programa de governo.

No caso ficam sempre as dúvidas: O que poderia ter sido feito de diferente? Qual seria a atitude mais correcta? Qual é a resposta certa?

*Não consegui colocar o vídeo aqui no post, por isso ficou só a ligação para o site com o original.

Comparação sobre a ética (PT/BR)

Ao me preparar para responder ao comentário do Allan, na entrada anterior, percebi que era melhor responder-lhe com um novo artigo. Isto porque achei que o assunto ainda não estava bem discutido e tinha novas opiniões a respeito, e por isso seguem abaixo as novas reflexões.

Estamos caminhando aos poucos para um melhor entendimento e mais saudável relação entre as novas medias (medias sociais), as medias tradicionais (TV, rádio, jornais etc.) e a sociedade. Pelo caminho é normal que cometam-se erros, mas é importante também observar sempre as boas iniciativas. É isso que tento produzir aqui no blogue, uma colecção de boas e más práticas e suas repercussões. A intenção aqui é ficar com um arquivo e aprender com a troca de informações e opiniões.

A Coca-cola, na minha opinião, neste caso agiu bem, pois tentou explorar um novo meio de comunicação, e os bloggers, (apesar de não ter acompanhado tudo) pelo que percebi, receberam bem a iniciativa. Aqueles que ficaram de fora, sentiram-se “discriminados” e provocaram a reacção com acusações e difamação. Isto não me parece uma atitude muito adulta e ética. Como diz Thiane Loureiro: “Se não tem o que dizer fique quieto”. Outro ponto interessante é que os bloggers, ao publicarem, artigos contra e a favor e ao discutirem intensamente o caso, provocaram um buzz enorme o que é super positivo para o marketing da Coca-Cola! 🙂

Acontece mais ou menos o mesmo em Portugal com relação à criação do PtBlogs. Os que não entendem, ou se recusam a perceber o que se passa, praticam um programa regular e consistente de difamação e inversão dos factos. Alguns dizem que é uma maneira de controlar a blogosfera, outros afirmam que é um “esquema” para se rotular blogues “bons” e “maus” como referência às empresas que poderão investir seu tempo e dinheiro num contacto mais próximo.

A proposta do PtBlogs (e, que de uma vez por todas, fique clara a questão) é a de reunir informações, documentos e práticas de ética saudável na blogosfera para que ela seja reconhecida como meio de divulgação de informações e que não restem dúvidas à respeito da qualidade e seriedade de seus autores. Mas isso, claro está, direccionado apenas para os bloggers que têm a intenção de promover ofertas de publicidade e divulgação. Nem todos os bloggers querem isso, a grande maioria, por sinal, apenas quer fazer do meio o que ele é – um diário virtual.

Mas aqueles que utilizam os blogues de uma forma “mais profissional”, ou seja, prezam pelo conteúdo, dedicam-se à regularidade e incentivam discussões têm de responsabilizar-se pelas opiniões que defendem, pois chegam a muitos leitores, que lhes acreditam fielmente. Se um desses bloggers publicar uma opinião sobre um produto, há que deixar claro aos seus leitores se foi ou não pago para isso. É ética pura – nem mais nem menos. Quem usar de má fé vai sempre crucificado.

É importante que fiquem claras as intenções e opiniões da maioria dos bloggers sobre a publicidade e divulgação de produtos e marcas para que a blogosfera, possa começar a ser reconhecida como um meio de comunicação mais confiável. Mesmo aqueles que não querem publicidade, e que utilizam o blogue apenas como caderno de apontamentos, devem deixar claro que não desejam receber material das empresas de marketing, isso para que não sejam incomodados. As empresas já perceberam que devem respeitar algumas regras no relacionamento com a blogosfera, principalmente ao observar os erros já cometidos em outros países. Mas se os autores de blogue, em Portugal, não têm uma postura ética perante ele mesmos, quem há de respeita-los?

Neste caso vamos sempre ouvir e acreditar que a blogosfera é perigosíssima e que os bloggers são todos traficantes, pedófilos etc.

Portugal X Brasil sobre os blogues

As últimas semanas no Brasil têm sido semanas de indignação e de protesto por parte de bloggers. Isto porque o Blue Bus, um blogue “jornalístico” publicou uma nota a respeito da acção da Coca-cola específica para bloggers. A acção era para o lançamento de um novo produto e o autor do blogue insinuou que os bloggers que publicaram a respeito do tema seriam proprietários de blogues de aluguer. Até repercussão internacional já teve.

Aqui em Portugal, sabemos de duas primeiras experiências de contacto das empresas com os bloggers. A primeira delas é a acção da Lift na Semana Académica de Lisboa e a segunda é a da Torke 2.0, que convidou alguns bloggers para a festa de lançamento do MySpace Portugal (disclaimer: na época eu ainda não era colaboradora da Torke 2.0). São poucos os exemplos actuais mas vão tornar-se cada vez mais frequentes e, é justamente por isso, que após o caso do Aqui e Agora, na SIC, alguns dos bloggers portugueses resolveram agir e tentar evitar que algo parecido acontecesse em Portugal.

Já está disponível há, pelo menos, um mês na Wiki do PtBlogs, um documento que serve de guia para os autores que quiserem utilizar os seus blogues como instrumento de divulgação de marcas e produtos. O documento deixa claro que apenas tem a pretensão de ser um guia, não uma lei ou regra a ser seguida por todos e que seja impingida. A intenção, como já foi dito aqui, é apenas ajudar a formar uma opinião diferente da exposta no programa e separar o joio do trigo como diz Marco Santos, do Bitaites.

Para explicar mais sobre a iniciativa estarão disponíveis entrevistas em vídeo com alguns dos primeiros participantes do movimento no canal PtBlogs do Sapo Vídeo. A primeira entrevista de Paulo Querido, é justamente com Benjamin Júnior, que foi o responsável pela abertura da sala do PtBlogs no friendfeed. Nesta entrevista conta-se como foi pensada a iniciativa e quais os objectivos da mesma.

A semana das crises

Há algumas semanas no blogue It’s (not) about you, de Miguel Albano, que nos apresenta boas dicas e informações de como as consultoras de comunicação podem utilizar bem as medias sociais no mercado das relações públicas, publicou um belíssimo artigo sobre as formas de como conseguir uma comunicação eficiente das empresas para com os clientes e consumidores finais.

Segundo o conhecimento básico, há que se atender sempre bem, mesmo que para perceber isso não sejam necessários muitos estudos aprofundados pois esta é uma informação de conhecimento universal. E não é que, há dois dias, no blogue Browserd, Pedro Rebelo publicou três artigos a respeito de problemas e mau atendimento numa instituição bancária! Se forem conferir as entradas, o autor é um cliente antigo do banco, que foi repetidamente mal atendido por clara falta de treinamento para as relações interpessoais do colaborador que não tentou em nenhum momento informa-lo, esclarece-lo ou tranquiliza-lo sobre a situação!

Neste exemplo, que serve como óptimo estudo de caso, temos a falta do treinamento para o relacionamento com o cliente, que “sempre tem razão”, temos a falta de resposta da instituição ao problema com a falta de atenção para as informações não personalizadas que lhe são passadas, e por incrível que pareça, temos uma resposta um pouco mais rápida e quase imediata quando o assunto foi abordado na internet. É a gestão da reputação e de crises da era digital a entrar em acção, muito mais rápido e eficientemente do que nos meios tradicionais (telefones e cartas). A acompanhar o caso e ver como se resolve a saga do autor.

Esta semana, diga-se de passagem, está recheada de textos e debates na blogosfera a respeito da gestão de reputação. Outro bom artigo sobre o assunto é do Bruno Ribeiro, no Dissonância Cognitiva, em que aborda o caso da Justiça contra o blogue difamatório e melhor ainda é a discussão gerada sobre o mesmo assunto nos comentários do texto de Paulo Querido.

E ainda, o Pedro Rocha, do Will it Brand? nos indica um estudo de Paul Dunay sobre Reputation Management Survey for New Media.

Just That! Perfect – nothing else to say!