Parece que já começam a entender

Parece que já começam a entender como funciona essa coisa dos blogues. É preciso agora acompanhar para verificar como se saem e o que colocam em prática.

Nota importante: vale sublinhar a seguinte frase “começaram a chegar cada vez mais briefings à agência para que fossem desenvolvidos projectos desta natureza”, explicou André Rabanea, director da Torke.

Foi preciso os clientes pedirem!

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Afinal há ou não um problema?

Muito falou-se durante e depois do debate promovido pela Unicer mas poucas coisas ficaram claras na mente de muitos dos participantes. A reunião estava voltada ao sector de relações públicas e tinha como objectivo debater as <<prováveis >> consequências da blogosfera para o mercado e para as empresas. Como se pôde verificar em conversas do twitter, ficou claro que muitos dos presentes ainda não entenderam bem como funciona e nem mesmo o entendeu a própria entidade que promoveu o encontro.

A questão é que com a liberdade proveniente da facilidade de acesso à internet, e consequentemente, à comunicação, surgem sim muitos problemas, mas não para as empresas directamente e sim para as respectivas consultoras de relações públicas.

E algumas dessas mesmas empresas ou seus representantes não têm a noção de como agir em relação à blogosfera. Como já foi comprovado pelo polémico caso da Optimus e como refere Bruno Amaral, no seu blogue Relações Públicas, quando questiona a ética em relação aos bloggers.

As consultoras de relações públicas, no que diz respeito à relação com a blogosfera, perderam um de seus fundamentos mais importante: exactamente as relações. As empresas não sabem como agir diante de reclamações publicadas em blogues com opiniões contrárias aos produtos e serviços de seus clientes.

Também não se preocupam em fidelizar aqueles que se mostram satisfeitos e ainda por cima não incentivam os seus clientes a permitir e facilitar a criação de blogues dentro das corporações, além de não saberem aconselhá-los nesta perspectiva.

O primeiro passo para corrigir tais erros era, na minha opinião, explicar e fazer entender às corporações que a blogosfera é actualmente uma das mais influentes formas de comunicação. Não há que fugir das novas tecnologias e sim encará-las e aproveitá-las sempre do melhor modo.

Acho que, para já, era pelo menos um bom começo, o monitoramento efectivo da blogosfera e de todas as redes sociais. São poucas as empresas que actualmente o fazem como comentou Miguel Albano, da Lift. E devemos urgentemente disseminar a ideia de que a realidade mudou e há que se adaptar bem e depressa.

Também era importante que se fizesse um estudo dentro das corporações para se saber quantos dos colaboradores já têm um blogue, quais os assuntos, quais os blogues que consultam regularmente, e principalmente, quantos colaboradores gostariam de publicar um blogue com informações sobre o que fazem diariamente dentro de cada empresa. Esse estudo serviria para ter-se um quadro geral de quão influente é a blogosfera.

Coloquei a questão para ser discutida no PROpenMic e mais tarde farei um texto com as análises e respostas.

Aprender com os bons exemplos

Aqui em Portugal ainda muito falta para conseguirmos perceber onde chegaremos com a aplicação das novas tecnologias e da Social Media. Mas para efeito de estudo e de se perceber como os outros reagem à essas inovações segue uma ligação com sugestões de como isso pode ser feito.

Delicioso de se observar a qualidade dos textos

Já conhecia o site Collective Conversation com os blogues dos colaboradores da Hill & Knowlton’s mas definitivamente achei MUITO melhor o Landing Blog da Endelman. O site apresenta um visual muito mais limpo e que instiga os leitores a abrir os links com os textos.

Foi lá, com a ligação para o blog de David Brain, que descobri que a Endelman comprou a Spook Media, agência digital de Inglaterra.

Mas há também ligações para o blog de Steve Rubel – Micro Persuasion e de Phil Gomes – Blogservations.

São ligações interessantes e que valem à pena.

Blogues = diálogo directo / Empresas = adaptação

Adaptação foi a palavra chave durante o debate Conversas da Unicer que teve por tema Blogosfera – Um problema para as empresas ou um novo universo para as relações públicas. Defendeu-se sempre a adaptação das empresas aos novos meios de comunicação e interacção social presentes na internet.

A possibilidade de um diálogo directo entre empresas e sociedade é a principal vantagem dos novos meios sociais de comunicação, como os blogues, afirmaram de diferentes formas os participantes do debate.

A tarde começou com a apresentação de Bruno Giussani, sobre o poder de influência e a facilidade de comunicação existentes actualmente através das diferenciadas ferramentas de relação social. Ele demonstrou que hoje “qualquer indivíduo pode gerar todo tipo de conteúdos e divulgá-lo através da internet”.

Luís Paixão Martins concordou ao afirmar que não mais se pode controlar a informação e acrescentou que a “virtude da internet é que ela torna muito mais fácil a comunicação”. Ao defender essa mesma ideia, António Granado afirmou que as audiências não são mais passivas e que as empresas tem de “estar abertas e disponíveis ao diálogo directo”.

Maria João Nogueira, por sua vez destaca que antes de aventurar-se é preciso conhecer o meio e a forma como ele funciona “não se pode entrar a matar”. A ideia foi apoiada pela intervenção de Granado, que conclui que é preciso ter tempo para consultar e responder aos comentários e também por Eduardo Correia, que sublinha que os clientes tem muito mais acesso às informações e tornam-se cada vez mais exigentes, o que significa que as “empresas têm de procurar um novo plano de relação com a sociedade”.

Paulo Querido afirma ainda que as novas empresas mais do que as tradicionais são as primeiras a aceitar as novas formas de comunicação até por já terem sido criadas com esses meios à disposição, além disso acha que “os blogues podem ser uma ferramenta de aproximação” entre empresas, clientes, colaboradores, fornecedores e mercado.

A conclusão é de que é preciso adaptar-se à nova comunicação que cada vez mais está descentralizada e menos controlada e torna-se mais social do que nunca porque proporciona um debate aberto e imediato. E pergunta-se não mais se as empresas devem utilizar esses novos recursos mas sim, como e quando vão fazê-los.

Para terminar com chave de ouro, infelizmente, o próprio CEO da Unicer, António Pires de Lima, parece não ter-se apercebido de nada do que se falou durante o debate. Ao ser perguntado sobre se a empresa iria ter um blogue respondeu que ele particularmente como CEO “não teria nada para dizer”.

Depois ao ser novamente interpelado sobre o assunto, dessa vez por Giussani, que perguntou se ele, Pires de Lima, como CEO da Unicer, aceitaria que um dos seus colaboradores tivesse um blogue em que relatasse o seu dia de trabalho na empresa disse que há determinados assuntos que não poderiam ser falados mas esqueceu de comentar de que em todas as áreas e para tudo na vida há que se ter um mínimo de ética.

Giussani ainda deixou um bom concelho a ser seguido pelas empresas que desejarem se incluir na blogosfera: O Making of é de interesse geral e seria interessante pensar num blogue corporativo que fizesse isso.

Oradores do debate:

Bruno Giussani, escritor, blogger, comentador e director para a Europa das conferências TED.
António Granado é jornalista e editor do Público
Online.
Eduardo Correia é professor universitário, licenciado no
ISCTE, tem o MBA em Marketing da Universidade de Glasgow e doutorou-se em Finanças, pela Universidade Strathclyde.
Maria João Nogueira é responsável pelos
Blogues do Sapo, faz o trabalho de desenvolvimento da plataforma e a sua gestão assegura desde a estratégia à captação de bons blogues.
Paulo Querido é jornalista, trabalha no semanário Expresso, criador e director da primeira rede de blogues “Tubarão Esquilo”.
Blogue: http://pauloquerido.net/

Debate sobre blogs e empresas

É já hoje, às 15 horas no Museu da Electricidade, em Lisboa, o debate “Blogosfera, um problema para as empresas ou um novo universo para as relações públicas?”. O encontro terá a participação de Bruno Giussan, António Granado, Eduardo Correia, Luís Paixão Martins, Maria João Nogueira e Paulo Querido.

A discussão tem por objetivo debater a Comunicação Institucional e a Gestão Empresarial.
Os temas discutidos prendem-se com os múltiplos patamares do processo de comunicação das organizações e com as suas etapas estratégicas.

Eu estarei presente para acompanhar o debate que também será transmitido em directo pelo site dos organizadores. em www.conversasunicer.net.

Artigo Completo

Ao me perder na internet encontrei outro artigo soberbo que resume muitas das discussões actuais que vemos nos blogs sobre comunicação e media nesses últimos tempos.

Não deixem de conferir Como manter a chama viva – Linha de orientação para o futuro dos jornais”, de Alexandre Gamela, Jornalista/webdesigner/RP freelancer, podcaster.